sábado, 25 de fevereiro de 2017

O Mendigo e a Rodovia

Poucos sabem ao certo a história da BR 120. Uma rodovia que guarda tantos segredos quanto se pode imaginar. Mas de todas as história, de todas as aparições, há uma que se destaca. Próximo a final da rodovia há um trecho conhecido como "curva do diabo". São dezenas de acidentes que acontecem lá todos os anos, sendo quase todos fatais. No final do ano passado, eu e uns amigos estávamos indo em direção a praia de Puntacana, para curtir os últimos dias de férias. Por não saber dirigir, eu fui declarado como o copiloto oficial. Entre minhas funções estavam: Distribuir salgadinhos, avisar sobre radares e não deixar o motorista dormir a noite. Eu era bom nessa última. Geralmente quando chegava próximo as 03h da madruga metade da galera estava dormindo e eu e o motorista da noite estávamos ligados na direção, as coisas davam certo assim. Até na última noite da viagem,  pelo menos. Luís estava no volante naquela noite, e eu o entretia com uma história de terror. Uma placa na beirada do asfalto passava a seguinte mensagem "Curva fechada a frente". Mas nós nem demos muita atenção. Luís dirigia bem e estávamos tão focados na história que o sono até havia ido embora. Não lembro ao certo qual história era. Provavelmente sobre algum lugar abandonado. Mas vamos voltar ao foco. A estrada estava escura. Era uma noite sem lua e estávamos num trecho sem iluminação, Luís dividia sua atenção entre o volante e a história. E quando eu estava quase chegando ao ápice escuto Luís gritar "Caralho". Só tive tempo de olhar para frente e ver um vulto coberto por um cobertor negro. Em seguida o carro derrapou. Era possível ouvir o barulho que fizemos a quilômetros de distância. O cheiro de pneu queimado era assustadoramente forte. Mas se eu podia senti-lo era sinal que eu estava vivo. O que me fez ficar grato, mas só por alguns segundos. Olhei para trás e vi que meus amigos estavam bem. Exceto por um arranhão e um galo na testa. Tirei o cinto e saímos do carro. Lá fora, o susto. O carro havia parado a centímetros de uma parede enorme que circulava parte da rodovia. Se Luís tivesse demorado um segundo a mais para frear estaríamos todos mortos agora. Era muita informação para processar. Encostei na parede e vomitei um pouco. Meus amigos perguntaram se eu estava bem. Eu disse que sim e sugeri que fizéssemos uma parada. Quando meus amigos voltaram pro carro, olhei em volta a procura da pessoa que quase atropelamos, mas não vi ninguém. Ao invés disso, percebi que na parede onde estava apoiado havia centenas de riscos. E os 4 últimos estavam pela metade. Dirigimos calados por uns dois quilômetros até encontrarmos uma lanchonete 24h. Estacionamos e entramos no lugar. A atendente foi super educada e nos ofereceu primeiros socorros, mas fora o susto, nós estávamos bem. A moça perguntou o que havia acontecido e quando nós contamos ela ficou pálida. Quando perguntamos se ela estava bem uma mão gigante pousou sobre meu ombro. Dei um grito do qual me envergonhei em seguida. Era apenas um dos clientes da lanchonete. Um caminhoneiro gigante e mal encarado, mas que no fim se mostrou uma boa pessoa. Ele puxou uma cadeira e se sentou ao nosso lado. Em seguida nos contou uma história que jamais esquecerei, ainda que se passem 100 anos. Com uma voz rouca e cansada pelos berros da vida, o homem disse:

- Dirijo por estás bandas ha mais anos do que posso contar. Já vi de tudo que se pode ver, cadáveres, fantasmas, luzes estranhas, assassinatos... Tudo! Mas nada me assusta tanto quanto o mendigo da curva do diabo. Qualquer caminhoneiro que se preze, sabe que a BR 120 não é pra qualquer um. Até os mais experientes caminhoneiros evitam dirigir por ela a noite. Eu tinha esse costume também, até receber uma proposta irrecusável do meu chefe. Transportar uma carga em menos de 12 horas em troca de uma pagamento formidável. Ignorei todas as minhas crenças, peguei meu velho caminhão, chamei meu copiloto Raimundo, que Deus o tenha, e fomos. Já era por volta das 03h quando nos aproximamos da curva. Raimundo e eu estávamos discutindo sobre algum jogo de futebol, quando vi ao longe um homem velho e esbranquiçado na beira da estrada. Ele usava um cobertor preto e o simples fato de olhar para ele me provocava arrepios. Então, aconteceu. Eu mal havia tirado os olhos da figura estranha e ele já não estava mais na beira da estrada, mas sim correndo em direção a mim. Joguei o volante pro lado e vi meu caminhão capotar...
- Nesse momento ele fez uma pausa e pude sentir que as lágrimas vinham até seus olhos. Não havia outro barulho na lanchonete se não moscas e respirações aflitas e tensas. Então ele continuou:
- Quando acordei estava coberto de sangue. Um corte na minha cabeça tampava de sangue minha visão do olho esquerdo, mas meu olho direito estava intacto. E através dele vi os olhos já sem vida de Raimundo ao meu lado. Juntei todas minhas forças para sair do caminhão e desmoronei do lado de fora. A cena que vi naquele último minutos de lucidez estará gravada na minha mente até o fim dos tempos. O mesmo homem que me fez capotar o caminhão estava parado há alguns metros de mim. Com um sorriso cheio de dentes podres. Ele caminhou até a parede e fez um risco e meio junto a tantos outros riscos que existem lá... Lembro de ter escutado ele sorrir, então desmaiei de vez. Quando acordei estava num hospital. Poucos acreditaram na minha história. E os que acreditaram ainda repetem meu velho conselho por aí... Não desvie de coisas ruins durantes as madrugadas da BR 120. Elas não terão o mesmo cuidado com você.

Por Max Salomão

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Numero 14



Na minha rua todas as casas são bonitas, bem decoradas e num estilo vitoriano, com exceção de uma. A casa da Senhora Louca, todos a chamam assim, pois ela faz jus ao nome.
Tem mania estranhas, como colecionar gatos pretos, plantar ervas daninhas, acender fogueiras a noite, dentre outras. Mas de tudo isso a coisa que mais me perturba nela é o fato dela me chamar de Número 14. Todos os dias quando passo em frente a sua casa ela sorri um sorriso podre e diz:
- Bom dia, número 14.
Eu não respondo. Apenas ignoro e continuo seguindo em frente.
Mas ultimamente ela vem sendo muito inconveniente, ontem ela bateu na minha porta e quando eu atendi ela deu um sorriso de orelha a orelha e disse:
- Como vai número 14?
Em seguida virou as costas e foi embora, sem esperar resposta. Agora a pouco uma pedra atravessou a minha janela, me dando um susto enorme. Quando apanhei a pedra havia um bilhete embrulhado nela, dizendo:
- Estou te esperando, número 14.
Para mim aquilo foi a gota. Estou indo agora mesmo até a sua casa tirar satisfações.

Ao chegar bato em sua porta três vezes, mas ninguém atende. Quando estava quase desistindo a porta se abriu, como se uma corrente de ar houvesse a aberto.

Normalmente eu apenas ignoraria, mas pude ouvir a voz rouca da senhora Louca lá dentro dizendo:
- Entre, número 14.
Entrei na casa e passei por um corredor onde as paredes estavam cobertas de bolor. O corredor me levou até a sala onde uma cena macabra fez com que eu vomitasse sobre o carpete mofado.
Sobre uma mesa haviam 14 bandejas de prata. Sobre 13 delas havia cabeças degoladas coberta por vermes e na décima quarta bandeja havia um papel com meu nome.
Quando me virei para correr, dei de cara com a Senhora Louca. Ela sorria seu sorriso podre e carregava uma foice.
- Olá, número 14. – Ela disse uma ultima vez.  
...
Que bom que encontrei essa casa mobiliada, a corretora me disse que o ultimo dono desapareceu há meses. Minha vizinhança nova é bem legal. Todos são muito simpáticos, com exceção de uma mulher que mora no final da rua. Ela já é bem velha e toda vez que eu passo por perto ela diz:
- Olá, número 15.  

Por Max Salomão

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Não acorde



Desde que me mudei para a casa nova, coisas estranhas vinham acontecendo. Janelas e portas abriam sozinhas. Luzes piscavam e a temperatura caia misteriosamente. Mas de todos estes fatos bizarros, nenhum se comparava a estranha sensação que percorria meu corpo todas as noites, as exatas 03:00h da madrugada. Independente do dia, clima ou situação. Todas as noites eu acordava as 03:00h da madrugada com um calafrio percorrendo todo meu corpo.
Certa noite, cansado desta rotina, decidi que iria quebrar o ciclo. Coloquei o alarme do meu celular para despertar no modo vibração as 02:58h e então coloquei o aparelho próximo a minha barriga.
Quando ele começou a vibrar na minha virilha acordei atento, mas não me mexi. Apenas peguei o celular e desliguei o alarme. Eu estava virado para cima e o quarto estava parcialmente iluminado pela luz da lua que entrava pela janela.
Esperei atentamente até as 03:00h e foram os piores segundos da minha vida, mas nada se comparava ao medo e desespero que senti ao ver um vulto negro e gélido se aproximar de minha orelha e sussurrar “Você devia estar dormindo”.

Por: Max Salomão

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Curta de terror I



Ontem de madrugada eu tranquei as portas de casa e fui escovar os dentes. Quando eu  estava os escovando ouvi três rápidas batidas na porta do banheiro. Instintivamente eu respondi:

- Ta ocupado.

E então eu me lembrei que eu moro sozinho. 

- Por Max Salomão

sábado, 15 de agosto de 2015

O que eles escondem de nós?

Davi dormia profundamente quando ouviu a porta de seu quarto bater. Seu corpo saltou com o susto. Ao se levantar viu que havia alguém ali, mas estava escuro demais para dizer quem era.

- Filho. – Gritou uma voz muito familiar. Era seu pai, Antônio. Ao acender o abajur ao lado da cama, uma claridade parcial tomou conta do quarto. Davi pode então ver que o pai estava suado e parcialmente coberto de sangue, vestindo apenas o pijama. Uma cena que por si só já seria capaz de traumatizar uma criança de seis anos para o resto da vida, mas como se apenas a cena não fosse suficientemente traumática o pai correu até o garoto e sussurrou em seu ouvido direito as ultimas palavras que diria ao filho em vida: “Não importa o que aconteça... Não abra os olhos”.

O garoto apenas concordou com um aceno de cabeça, eis então que algo extremamente forte e pesado se chocou contra a porta do lado de fora, assustando ambos.

- Cadê a mamãe? – Perguntou Davi. Antônio não respondeu, apenas pegou o filho no colo e o abraço forte, como se seria a ultima vez em que o abraçaria.

Antônio ainda com o filho nos braços abriu a porta do quarto e saiu correndo pelo corredor em direção a saída. No meio do caminho passou em frente ao seu quarto e ao olhar lá dentro viu que a criatura havia retornado para lá e permanecia cravando as unhas gigantescas no estomago de sua já falecida esposa. Lagrimas vieram aos seus olhos. A criatura notando a movimentação saltou de dentro do quarto caindo no corredor e iniciando uma perseguição.

- Papai o que ta acontecendo? – Perguntou o jovem Davi, ainda de olhos fechados.

Antônio não conseguiu responder, pois nem mesmo ele sabia o que estava acontecendo ali.
Ao chegar a porta da casa Antônio podia sentir os passos pesados da criatura atrás dele. O homem segurou o filho com apenas uma das mãos e com a outra girou em vão a maçaneta que revelou uma porta trancada. Sem saber mais o que fazer, Antônio apenas sentou-se no chão e apertou o filho nos braços o mais forte que pode. Davi estava aos prantos, mas mantinha os olhos fechados. A criatura se aproximava cada vez mais, com seus dentes pontiagudos, unhas tão grandes quanto navalhas e uma aparência indescritível. Quando Antônio pensou que seria o fim, a coisa que os seguia recebeu uma enorme descarga de energia e despencou ao chão, moribunda. Atrás dela um soldado com roupa camuflada segurava um teaser do qual ainda saía fumaça do choque que dera na criatura.

- Graças a Deus, - Sussurrou Antônio. Enquanto acariciava a cabeça do filho. – Obrigado, obrigado! - Gritou ao seu salvador. O soldado não se sensibilizara com a cena, apenas ergueu um dedo como que pedindo para Antônio ficar em silêncio, enquanto tirava um rádio do bolso.

- Senhor, encontrei o projeto 5ABN. Ele está inconsciente. Zona norte, quadrante quatro, casa numero 328. Aguardando evacuação, cambio.

- Certo Vermelho 4, há algum civil na residência?

- Positivo senhor. Uma civil morta e dois sobreviventes.  Cambio.

- Sem testemunhas, você já sabe o que fazer. A equipe de limpeza chegará junto com a equipe de evacuação, em dez minutos. Cambio final.

Antes que Antônio pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, o soldado tirou uma arma de seu coldre e disparou contra a cabeça de Davi.

- Não! – Gritou Antônio, pouco antes de receber um tiro certeiro na cabeça.
A equipe de limpeza fez bem o seu trabalho. Quando a policia chegou eles já estavam longe, assim como o projeto 5ABN. E na manhã seguinte a noticia destaque do jornal foi:

“Homem surta e mata a família”


“Na noite de ontem, na zona norte da cidade, Antônio Barros Freitas (37) matou a esposa, Adriana Caroline (32) e o filho D.J.F (6). O homem matou a esposa a facadas, disparou contra o filho e se suicidou em seguida...”

Por Max Salomão

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O esquartejamento inocente.



David sempre foi baladeiro. Saia as seis da noite e voltava a seis da manhã, e todos os dias voltava pra casa com uma garota diferente. Certa noite, numa das boates mais agitadas da cidade, David estava dançando quando uma garota extremamente linda foi em sua direção dançando de um jeito único. David e a garota dançaram por longos minutos, até que ele se aproximou do ouvido daquela jovem e a convidou para ir até sua casa. A garota sem pensar duas vezes aceitou o convite, e juntos os dois partiram para o que seria uma noite intensa de amor.
No dia seguinte, logo pela manhã, David acordou com um enorme sorriso no rosto. A garota ao seu lado havia sido uma amante fantástica.
- Bom dia, dorminhoca. – David diz dando um beijo na bochecha da garota. Mas a garota não responde.
- Hey, tudo bem? – David diz enquanto a sacode, mas a garota não responde. Após varias tentativas desesperadas de acorda-la, David se da conta de que a garota está morta.
Num impulso de desespero David entende que ele a matou enquanto dormia, e agora precisa esconder o corpo. Ele a arrasta até a banheira e lá usa uma pequena serra para cortar membro por membro da garota, começando pela cabeça. Aquilo o assusta, o deixa apavorado, mas ele não tem escolha, não pode passar o resto da vida na cadeia.
Eis então que a campainha toca. David está completamente suado e com as roupas sujas de sangue, então corre até seu quarto para trocar de roupas, volta pelo corredor e tranca a porta do banheiro por fora.
A campanhinha toca novamente e David, após jogar um pouco de água em seu rosto, abre a porta.

- Senhor, bom dia! – Diz um policial de forma Cortez. – Estamos procurando essa garota, ela está desaparecida desde ontem à noite quando fugiu de casa. O senhor a viu?
O policial lhe estende uma foto da garota que agora estava esquartejada em sua banheira.
- Não Senhor, eu não a vi. – Responde David, omitindo os fatos.
Certo. – O policial diz enquanto guarda a foto no bolso. - Ela tem uma doença rara que a deixa em estado vegetativo, como se ela estivesse morta, mas costuma durar apenas alguns minutos, então se encontrar essa mulher desmaiada por ai. avise as autoridades, ok?

Por Max Salomão